domingo, 18 de outubro de 2009

Feliz dia do Mestre




SINTO VERGONHA DE MIM


Cleide Canton


Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.


Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o "eu" feliz a qualquer custo,
buscando a tal "felicidade"
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos "floreios" para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre "contestar",
voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!


***

"De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto".

(Rui Barbosa)

Dedicado a todos os mestres


Anhanguera Araruna

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A volta!






A caminho da vida.


Vai pela manhã, como se não houvesse destino, ponto de partida ou paradeiro, a única companhia a lhe espreitar é a incerteza, amarga e impura incerteza, em seus olhos opacos pela dor e injustiça, traz lágrimas e em sua mente duvidas; Continuar a viver? Desistir sem lutar? Tentar ou esquecer?... Na verdade não importava mais, tudo de palpável já lhe fora tirado. O concreto e o real já se extinguiram, assim como os sentimentos. Restando somente dor.

Caminha em meio a carros, ruas e pessoas. Fuligem é seu alimento agora, sustentando suas células, monóxido e dióxido de carbono o alimentam, em meio à confusão eterna de formigas a vagar sem rumo. Vê-se sozinho em meio, a multidão! De que se lembra? O que aprendera todos esses anos? Do que lhe serviu, trancafiar-se nas veredas do saber? Chega a conclusão que de fato nada lhe seria útil, em uma humanidade que incentiva a busca por sonhos, mas, no entanto mede caráter em grau de conhecimento e que se permite medir o valor de um homem em papel, seja ele, moeda ou diploma.

Vislumbrando a injuria segue seus passos lentos, sólidos, sóbrios e serenos; em sentido ao que há muito não faz sentido. Nada fizera de notável e o que fizera não é mutável, pois não se pode fazer o que ama, sem que tenha preço comercial. Não seria conivente com o lixo a lhe cercar, tampouco teria forças, pra tentar mudar a sociedade vil que lhe estragara e condenara a viver como anônimo, mais um José entre outros tantos, mais um ninguém que não tem voz. Só um refém do que a roda viva escolhe pra nós.

Segue perdido em meio de gritos e empurrões e a cada etapa, da jornada diária toma certeza de que, não existe. Apenas vaga, por tortuosa via que se transformou sua vida. Onde estaria toda aquela vontade de lutar? Perdera-se, como muitas outras coisas em meio de embaraços e mágoas. Deram lugar ao ódio, frustração e vergonha, que lhe fora impostos pela visão dos heróis, ídolos, mestres, afetos, desprazeres, dividas, responsabilidades, etc. De outrora serem destruídos. Por fim soçobra esperança. Este homem sou eu... Este homem é você.



Anhangüera Araruna